A empresa petroquímica Unipar se antecipou a uma eventual alta de juro no Brasil e aproveitou uma janela de demanda por papeis de dívida privada para levantar R$ 750 milhões em operação encerrada nesta sexta-feira (6).

O objetivo é arrumar a casa para futuras aquisições de outras empresas.

“A empresa já deixou claro que busca formas de crescer, seja no Brasil ou no exterior”, diz Alexandre Jerussalmy, CFO da Unipar. No primeiro trimestre, surgiram no mercado informações de que a empresa estaria negociando uma fábrica de termoplásticos nos Estados Unidos por cerca de US$ 700 milhões – a Unipar, na época, chegou a confirmar que estava em negociações desde novembro.

“Uma aquisição pode ocorrer por diversificação geográfica ou do tipo de negócios”, diz o CFO, sem entrar em detalhes.

O dinheiro agora captado será usado para quitar papeis que estão perto do vencimento e que têm custos mais elevados. Com as debêntures, o prazo médio da dívida da Unipar aumentou de 3,4 anos para 4,5 anos, a um custo, diz o CFO, “significativamente menor” aos atuais CDI + 1,56% ao ano.

Jerussalmy acrescenta que a emissão não terá impacto no endividamento líquido da empresa. Hoje, a dívida líquida, que é o valor devido menos o dinheiro em caixa e aplicações em títulos de curto prazo, é de R$ 471 milhões. A alavancagem é de 0,7 vez a dívida líquida dividida pelo lucro operacional (Ebitda).

Janela antes de alta do juro

A captação da Unipar se soma à de outras empresas que resolveram recorrer ao mercado de capitais antes da definição de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, a expectativa é de que a Selic suba; lá, que a taxa báscia caia.

Nesta semana, Petrobras e Eletrobras anunciaram a emissão de dívida no exterior (“bonds”) de US$ 1 bilhão e US$ 750 milhões, respectivamente. No mercado brasileiro, Marfrig, Ânima, Magazine Luiza, Klabin e Totvs foram algumas empresas a emitir debêntures.

“O que fizemos foi acessar rapidamente essa janela que identificamos e fomos um dos primeiros a aproveitar”, diz Jerussalmy. A agilidade, acrescenta o CFO, “conseguiu garantir um custo de dívida muito atrativo a um prazo interessante”, o que melhorou o perfil da dívida.

As debêntures foram emitidas em três séries, com vencimentos de cinco, sete e 10 anos, respectivamente. A demanda pelo papel superou em duas vezes a oferta – a operação atraiu 35 gestoras de recursos.

Para o vencimento de cinco anos, foram levantados R$ 290 milhões a um custo de CDI + 0,85% ao ano. Para o de sete anos (vencimento em 2031), R$ 185 milhões a CDI + 1,20% ao ano. Para dez anos, R$ 275 milhões a CDI + 1,65%. A operação contou com os bancos Itaú BBA (coordenador líder), Bradesco, Santander, Votorantim e XP…. saiba mais em InvestNews 06/09/2024