Deeptechs na mira de Invest Tech e The Collab com fundo de R$ 150 mi
No país das fintechs e do SaaS tropicalizado, são as deeptechs que entraram na mira da Invest Tech e do The Collab. A gestora de venture capital e o grupo de inovação focado em saúde estão se unindo para investir nas startups que unem ciência e tecnologia, o que inclui setores futurísticos como biotecnologia, nanotecnologia, computação quântica e aplicações em inteligência artificial – segmentos pouco visíveis no Brasil.
A parceria vai começar com um fundo de venture capital, cuja captação deve começar em breve, após conversas sinalizando interesse de entrar no veículo. A expectativa é levantar R$ 150 milhões até o primeiro trimestre de 2026, permitindo a realização de oito a 12 cheques nos próximos três anos.
O veículo vai ser administrado pela Invest Tech, que possui R$ 500 milhões sob gestão e é especializada em negócios B2B de tecnologia. Já o know-how em ciência e tecnologia para escolher os melhores negócios vem da The Collab, um hub de inovação coordenado por Diego Aristides, que foi CTO e chefe do CVC do Hospital Sírio-Libanês durante cinco anos.
“Nossa união traz maior segurança tanto para os investidores quanto para nossas futuras investidas. Essa combinação é o nosso grande diferencial”, explica Aristides. Ao lado da esposa, Priscila Toledo, ele coordena o The Collab, uma venture builder e aceleradora de startups com foco em saúde lançada em 2024 com sede no estádio Mané Garrincha.
Agnóstica na tese, a parceria, intitulada de “joint-venture informal” pela Invest Tech e The Collab, vai buscar startups de áreas consideradas intensivas em tecnologia e ciência, mas com foco no B2B, segmento mais atrativo para investidores e menos exigente de capital. Exceções no segmento B2C, porém, podem ser feitas, especialmente para startups da área de bem-estar que tenham receita recorrente vinda de assinaturas, por exemplo.
O desafio é encontrar essas deeptechs. O Brasil é especialmente fértil para fintechs e empresas de software, que costumam adaptar inovações criadas no exterior para o mercado doméstico. Para o setor de deeptechs, são dois os entraves: criar soluções tupiniquins em laboratório e depois transformá-las em um negócio rentável. Ainda, a curva de retorno é mais longa, já que frequentemente esbarra em regulações atrasadas e problemas de financiamento público e privado.
Aristides diz que vai “sujar o sapato” para encontrar os bons negócios Brasil afora. Universidades, centros de pesquisa e laboratórios devem entrar nas buscas, já que é de onde vêm as patentes inovadoras que podem ser a base das futuras deeptechs. Além disso, a equipe do The Collab, formada por médicos e cientistas, vai participar das diligências, garantindo não só a viabilidade do negócio, mas também o modelo de inovação.
Para a Invest Tech, a parceria amplia o interesse da gestora no setor de saúde. O veículo aportou em apenas duas healthtechs (Huntington Medicina Reprodutiva e IntuitiveCare) uma fatia pequena entre as 300 investidas desde 2004. “Pela nossa ótica de mercado financeiro, nem sempre temos o ferramental técnico para entender esse tipo de deal”, diz o CEO e sócio Felipe Zahgen. “Com a The Collab, conseguimos ter outro olhar sobre coisas que não parecem investíveis, mas são um bom negócio.”
Atualmente, a Invest Tech está em período de desinvestimentos de três dos seus cinco fundos de growth e venture capital. Nos próximos meses, a gestora deve iniciar a captação de outro fundo de venture capital, complementando o fundo de growth de R$ 260,7 milhões (responsável pelo investimento na telecom Vero)… leia mais em Pipeline 29/08/2025

