Com US$ 850 milhões sob gestão, a gestora americana Flourish Ventures, especializada em fintechs, está em busca da segunda geração de startups de finanças no Brasil e na América Latina. Depois de aportar em teses populares como neobancos e organizadores financeiros (Banco Neon e GuiaBolso, respectivamente), a gestora procura negócios mais heterodoxos e complexos, como healthtechs, proptechs e climatechs que trabalhem dentro da vertical de finanças.

“Temos expertise global em fintechs, então estamos olhando para inovações que possam resolver problemas reais em saúde, habitação e clima”, diz Arjuna Costa, cofundador e sócio da Flourish Ventures, ao Pipeline. “Gostamos dessas sobreposições e interseccionalidades.”

Esses negócios interseccionais são a “fase dois” das fintechs. A gestora, que nasceu em 2014 pelas mãos do empresário Pierre Omidyar, criador do Ebay, mantém a busca por negócios que resolvam dores globais, mas agora está em busca de uma pegada regional, de economia real que possa gerar impacto imediato. Costa pretende fechar dois aportes nessa linha na América Latina ainda este ano.

Na visão de Costa, o Brasil se sobressai como um dos principais mercados na Flourish, que dedica metade do portfólio aos EUA e o restante ao Sul Global. A colombiana Diana Narváez é responsável pelos investimentos do grupo na América Latina desde 2021 – em março, a equipe da Flourish na região ganhou mais um membro, a analista Karen Rizkallah.

No último mês, a gestora coliderou uma rodada de US$ 10 milhões na Kamino, fintech de integração para médias empresas. A startup é fundada por Benjamin Gleason, cofundador do GuiaBolso, o primeiro negócio da gestora americana no Brasil e que rendeu uma saída de sucesso em 2021, quando a empresa foi vendida para o PicPay. “Nós gostamos de dobrar as apostas nos vencedores”, diz Costa.

Ainda em setembro, a Flourish deu um cheque de cerca de US$ 2,5 milhões para a Liquid AI, que usa inteligência artificial para diminuir riscos financeiros para incorporadoras e bancos em negócios imobiliários – uma startup que une fintech e proptech, dentro do novo escopo de “fase dois”.

No passado, a Flourish também apostou na Swap, Dolado e Dinie, bem como na Mercê do Bairro (que teve o negócio encerrado pelos fundadores). Em julho, o veículo global realizou a saída da americana Chime, que fez IPO na Nasdaq... leia mais em Pipeline 23/09/2025