A seca brasileira de IPOs já dura mais de três anos, a maior da história, e nenhuma oferta é esperada no curto prazo. No entanto, apesar do bom sinal que as aberturas de capital passam sobre a saúde da economia e o mercado acionário, o desempenho das empresas que estrearam na Bolsa na última década não é nada animador.

Um levantamento da Seneca Evercore mostra que apenas 9,5% das 84 ofertas primárias nos últimos dez anos têm rendimento acumulado maior do que o Ibovespa na mesma janela.

O dado desconsidera as nove ações que foram listadas nesse período, mas que saíram da B3, como NotreDame Intermédica, que realizou fusão com a Hapvida (HAPV3), Banco Inter (INBR32), que migrou para a americana Nasdaq, e o Banco Modal, adquirido pela XP.

As únicas que superam o Ibovespa são Ambipar (AMBP3), que dispara 385% desde a estreia na Bolsa, Cury (CURY3), com 116% de valorização, Orizon (ORVR3; 105%), Plano & Plano (PLPL3; 52%). Wilson Sons (PORT3; 48%), Caixa Seguridade (CXSE3; 44,56%), Grupo GPS (GGPS3; 42,97%) e PetroRecôncavo (RECV3; 11,4%).

Além destas, apenas outras sete empresas acumulam retorno positivo desde que estrearam na Bolsa brasileira. O restante (82,1%) opera em patamar abaixo do praticado no IPO.

Ajustando o preço do IPO pelo CDI acumulado no período, apenas Ambipar, Cury e Orizon têm retorno positivo.

Os dois setores com mais aberturas de capital desde 2014 foram varejo (17) e tecnologia (14). Mas quantidade não quer dizer qualidade: todas as ações acumulam queda desde a estreia.

Por outro lado, houve apenas cinco IPOs de companhias ligadas a commodities, mas o desempenho médio é de valorização de 57,2%.

A bolsa brasileira tem enfrentado uma seca significativa de IPOs nos últimos anos, refletindo um cenário desafiador para o mercado de capitais.

Após um período de otimismo em 2021, quando foram registrados 42 IPOs, o número despencou para zero em 2022, 2023 e 2024. Antes disso, a atividade de ofertas públicas iniciais variou bastante, com 26 IPOs em 2020, mas apenas um em 2018 e 2019, e apenas um por ano entre 2014 e 2017.

O boom de 68 ofertas primárias entre 2020 e 2021 trouxe as últimas companhias listadas na Bolsa. O IPO mais recente na B3, da Vittia, (VITT3), aconteceu em setembro de 2021 e já completou três anos… leia mais em InfoMoney 16/10/2024