Nos últimos anos, os setores de supermercados e varejo testemunharam uma onda de fusões e aquisições (M&A) entre algumas das maiores empresas do setor.

Esses acordos estão remodelando o cenário global do varejo, à medida que gigantes de supermercados combinam forças para expandir sua participação de mercado, diversificar suas ofertas e permanecer competitivos em um ambiente cada vez mais desafiador.

O impulso para a consolidação vem em meio à evolução dos comportamentos do consumidor, aumento dos custos operacionais e rápido crescimento do e-commerce, todos os quais forçaram os varejistas tradicionais de lojas físicas a reconsiderar suas estratégias. Como os supermercados enfrentam pressões de concorrentes físicos e digitais, uma fusão ou aquisição oferece um caminho para a sustentabilidade, inovação e maior eficiência. Vamos examinar o potencial para mais fusões no setor de supermercados e por que essa tendência pode continuar no futuro.

1. Consolidação para Vantagem Competitiva

Grandes redes de supermercados sempre competiram ferozmente por participação de mercado, mas com as crescentes expectativas dos consumidores e as interrupções dos serviços de supermercado online, as fusões permitem que essas empresas reúnam recursos e aumentem seu poder de barganha. Esses acordos geralmente levam a economias de escala aprimoradas, eficiências de redução de custos e maior alavancagem ao negociar com fornecedores, o que, por sua vez, pode levar a preços mais baixos para os consumidores.

Por exemplo, no 2018, Kroger e Albertsons discutiram uma potencial fusão que poderia ter criado um gigante no setor de supermercados dos EUA. Embora esse acordo tenha fracassado, ele destacou como grandes players estão buscando maneiras de expandir e otimizar suas operações.

Em toda a Europa, a tendência tem sido semelhante. Em 2020, Sainsbury e Asda, duas das maiores redes de supermercados do Reino Unido, tentaram se fundir para criar uma empresa de US$ 15 bilhões. Embora o acordo tenha sido bloqueado pela Competition and Markets Authority (CMA) do Reino Unido devido a preocupações com a redução da concorrência, ele ressaltou o esforço contínuo para a consolidação diante da crescente concorrência online e da redução das margens de lucro.

Nos últimos anos, Walmart e Amazon expandiram cada vez mais seus negócios de supermercados, forçando os supermercados tradicionais a buscar maneiras de reforçar suas capacidades online e offline. À medida que essas empresas expandem suas plataformas de e-commerce, a combinação de forças pode ajudar as redes de supermercados a contrabalançar o domínio desses gigantes da tecnologia.

2. Aproveitando a tecnologia e o comércio eletrônico

Um dos principais motivos pelos quais muitos grandes supermercados estão recorrendo a fusões e aquisições é a necessidade de integrar tecnologia em suas operações. O comércio eletrônico se tornou uma parte crítica do negócio de supermercados, com muitos consumidores preferindo comprar alimentos online, principalmente desde a pandemia. Em resposta, os supermercados tradicionais estão se esforçando para se adaptar, e uma maneira de acelerar sua transformação digital é por meio de parcerias ou aquisições.

Por exemplo, a Tesco, a maior rede de supermercados do Reino Unido, adquiriu o serviço de compras online Uma parada em 2003, um movimento que ajudou a melhorar suas capacidades de comércio eletrônico. Da mesma forma, Ahold Delhaize (a empresa-mãe de marcas como Stop & Shop e Food Lion) buscou empreendimentos digitais por meio de aquisições estratégicas, incluindo a compra de plataformas online como FreshDirect e ampliando seus próprios serviços de entrega digital.

Uma fusão entre dois gigantes do varejo também pode levar a uma integração robusta de tecnologia, desde sistemas avançados de logística e cadeia de suprimentos até experiências de compras de última geração (por exemplo, assistentes de compras pessoais com tecnologia de IA, lojas sem caixa e entregas por drones). O papel crescente da análise de dados e da inteligência artificial no espaço do varejo de alimentos torna as fusões e aquisições uma opção atraente para grandes redes que buscam ficar à frente da curva.

3. Expansão geográfica e de mercado

Outro motivador comum para fusões de supermercados é a expansão geográfica. A fusão com um concorrente permite que uma rede de supermercados entre rapidamente em novos mercados ou regiões onde eles podem ter presença limitada. Isso é particularmente importante em mercados emergentes, onde o apetite por formatos de varejo modernos está crescendo rapidamente.

Por exemplo, nos Carrefour, um dos maiores varejistas da França, se envolveu em várias fusões e parcerias para expandir sua presença na Ásia, América Latina e Oriente Médio. Da mesma forma, Metrô AG, uma multinacional alemã, simplificou suas operações vendendo mercados não essenciais, permitindo que ela se concentrasse em regiões principais onde tem forte potencial de crescimento.

Ao se combinar com outras grandes empresas, as redes de supermercados podem reduzir o risco associado à entrada em novas regiões, particularmente onde as preferências locais do consumidor, ambientes regulatórios e desafios logísticos podem criar barreiras à entrada. Uma fusão pode permitir que duas marcas unam suas bases de clientes e redes de distribuição, oferecendo uma seleção expandida de produtos e uma oferta de serviços mais diversificada aos consumidores.

4. Promovendo a sustentabilidade e a inovação de produtos

A sustentabilidade está se tornando cada vez mais uma questão central para os consumidores, e os principais supermercados estão sob pressão para oferecer produtos ecologicamente corretos, reduzir o desperdício e promover o fornecimento ético. As fusões oferecem uma oportunidade para as empresas investirem mais pesadamente em sustentabilidade e inovação de produtos, bem como otimizar suas cadeias de suprimentos para atender às crescentes demandas dos consumidores.

Grandes redes de supermercados também estão competindo por domínio em áreas como alimentos de origem vegetal, produtos orgânicos e marcas próprias. Ao se fundirem, as empresas podem reunir recursos para investir em produtos e práticas sustentáveis ​​de ponta que atraiam os compradores cada vez mais conscientes do meio ambiente.

Uma fusão também poderia dar às empresas combinadas mais poder para negociar com fornecedores que oferecem produtos de origem ética ou ecologicamente corretos, o que poderia resultar em melhores preços para o consumidor e um fornecimento mais consistente de produtos verdes.

5. O futuro das fusões de supermercados

Dadas as pressões contínuas enfrentadas pelo setor varejista de alimentos — aumento de custos, maior concorrência do comércio eletrônico, mudanças nos gastos do consumidor e demanda por inovação digital — é provável que veremos uma consolidação contínua nos próximos anos.

  • América do Norte:Nos EUA, empresas como Alvo, Costco e Walmart estão cada vez mais adicionando mantimentos às suas ofertas, representando uma competição acirrada para as redes de supermercados tradicionais. Redes menores podem procurar se fundir com players maiores para reforçar sua presença e melhorar a eficiência.
  • Europa: O mercado europeu de supermercados continua fragmentado e, embora algumas grandes fusões tenham sido bloqueadas pelas autoridades de concorrência (como com Sainsbury’s e Asda), podemos ver outras tentativas de consolidação. Além disso, a ascensão de supermercados de desconto como Aldi e Lidl provavelmente provocará uma resposta dos supermercados tradicionais, possivelmente por meio de aquisições ou parcerias.
  • Ásia: Na Ásia, países como China e Índia têm visto um rápido crescimento no setor de varejo. As redes de supermercados nessas regiões podem buscar fusões para ganhar escala e atingir a crescente classe média, ao mesmo tempo em que alavancam a mais recente tecnologia para acompanhar a demanda por conveniência.

Conclusão

À medida que o setor de supermercados continua a evoluir, as grandes empresas estão cada vez mais buscando maneiras de permanecer relevantes, reduzir custos e atender melhor o consumidor moderno. Fusões e aquisições representam uma ferramenta estratégica nesse processo, permitindo que os gigantes do mercado de supermercados combinem recursos, aprimorem suas capacidades digitais, expandam para novos mercados e permaneçam competitivos em um mundo onde as compras on-line e as preferências dos consumidores em mudança estão remodelando o setor.

Embora preocupações regulatórias e leis antitruste possam desacelerar o processo em certas regiões, a tendência para a consolidação provavelmente não desaparecerá tão cedo. À medida que o cenário continua a mudar, está claro que as fusões entre gigantes de supermercados serão uma característica fundamental da próxima fase da revolução do varejo… saiba mais em Revista ISN 22/12/2024