Hiker Ventures cria aceleradora para auxiliar startups que não recebem aportes financeiros
Na rotina como investidores, Rodrigo Moreira e Guilherme Chernicharo, sócios da Hiker Ventures, falam com centenas de donos de negócios, mas investem em poucos. Muitos são promissores, mas não se encaixam na tese da gestora. Outros precisam mais de orientação e conexões do que de capital. E foi pensando nesses casos que os sócios decidiram criar a Base Camp, aceleradora que quer ser um ecossistema de apoio para empreendedores.
“Alguns dizem que o venture capital acabou. Nós achamos que ele não é mais para qualquer um. E quem não for para o venture capital, vai para onde? A Base Camp é a evolução do que acreditamos como tese primária de alocação de dinheiro para empresas”, afirma Moreira. Ana Ragil, que construía comunidade e ecossistema na WeWork em Belo Horizonte (MG), foi chamada para liderar o projeto.
Moreira conta que a experiência de falar com 500 empreendedores por ano para investir em apenas dois é “frustrante”. “Conhecemos muita gente boa que não está preparada para captar ou nem deveria captar investimento”, comenta. Entre os motivos para o “não” estão tamanho e modelo de negócio, mas existem casos de sinergia com as pessoas fundadoras que não recebem o aporte. Para alguns desses, ele e o sócio já faziam o acompanhamento de startups de forma desestruturada e, agora, decidiram organizar o trabalho.
Eles rodaram um MVP com 10 empresas mais próximas em abril. Em agosto, a Base Camp lançou oficialmente a primeira turma de aceleração com 25 startups. “Nosso próprio dealflow do fundo vai ajudar a encontrar os melhores empreendedores. Continuamos com nosso olhar de investidores, mas não há promessa de aporte ao fim do processo porque são empresas que já não íamos investir. Queremos ajudar a crescer”, pontua.
O programa trabalha com três pilares: acesso, networking e conhecimento. A ideia é proporcionar conexões relevantes para cada startup, como potenciais parceiros e clientes, além de promover um ambiente de troca entre empreendedores para compartilhar dificuldades e conquistas da jornada.
Como contrapartida, para “retroalimentar o ecossistema”, a Base Camp vai custar a partir de R$ 60 mil por ano, podendo chegar a R$ 100 mil se a aceleradora ficar responsável pela estruturação do conselho da empresa. “A gente entende que deve haver contrapartida. Tudo que é mais fácil diminui o interesse. Não queremos equity, que é o bem mais sagrado para a empresa, eu deveria pagar por ele. É uma contrapartida financeira que sustenta o programa”, pontua Moreira.
Todas as startups participantes terão acesso ao diagnóstico de negócio que a Hiker costuma realizar com as startups que vão para o comitê de investimento, mas que é divulgado apenas internamente. Agora, elas vão entender o que impediu o investimento e como podem desenvolver o negócio. “Será um processo de 12 meses. Temos o nosso background de fundo, com uma rede de contatos que traz peso e expertise. Não é apenas conteúdo como outras aceleradoras”, afirma Ragil.
A Hiker Ventures nasceu da AF Invest, gestora do grupo mineiro Araújo Fontes, que presta assessoria para fusões e aquisições há 35 anos. Fundada em 2023, a Hiker tem entre os sócios o banco Bmg e foca em investimentos early stage, principalmente para startups que atuem no B2B. No portfólio estão empresas como a fintech Greg, a healthtech Radar Fit, a proptech MySide e a plataforma de IA Datlo, investidas do primeiro fundo de R$ 50 milhões. De acordo com Moreira, um novo fundo de R$ 100 milhões deve ser captado em até dois anos.
Além do retorno financeiro que ajudará a investir na produção de eventos e conteúdos, o projeto da aceleradora servirá ao grupo Araújo Fontes com oportunidades de negócios e potenciais adquiridas, assim como conexões para conselheiros… leia mais em pegn 26/08/2025

