Ibovespa encerra 2025 com melhor desempenho em 9 anos. O que vem pela frente?
Bolsa tem tudo para entregar mais retorno em 2026 com fluxo estrangeiro e corte de juros no Brasil, mas eleições devem testar otimismo do mercado.
Quem investiu na bolsa em 2025 tem zero motivos para reclamar. O Ibovespa fechou ao último pregão do ano com um ganho acumulado de 34%. É o melhor desempenho anual desde 2016. É mais do que renderam os produtos ligados ao CDI. É (bem) mais do que a bolsa americana (17,25%), ou que o bitcoin (-9%). Tudo num cenário em que o dólar caiu 11%, de R$ 6,18 para R$ 5,49. E o motivo? Simples: a perspectiva de corte de juros nos EUA.
Um grupo específico foi responsável por estimular – e surfar – o movimento da bolsa este ano: os estrangeiros. No finzinho do ano a entrada de recursos desse grupo até perdeu um pouco de fôlego, com saídas de R$ 390 milhões em dezembro. Mas isso nem de longe arranhou a tendência até aqui: são R$ 27 bilhões injetados nas ações brasileiras.
“Existe uma agenda muito clara de flexibilização monetária lá fora aliada ao enfraquecimento do dólar”, disse o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, em evento da bolsa no mês passado. Traduzindo: com os juros em queda nos EUA, a renda fixa em dólar fica menos atraente e o valor da moeda americana cai. Nisso, aumenta o apetite lá fora por mercados ‘alternativos’, como o nosso é visto pela ótica gringa.
Esse ciclo vai continuar? Bom, em 2024, quando o dólar subiu 27% e a bolsa caiu 10%, boa parte dos analistas acreditava que o movimento rumo ao fundo do poço continuaria em 2025. É a tendência: acreditar que a realidade atual será a do futuro próximo. Não foi.
Por que o dinheiro veio para cá?
Justiça seja feita, não é só o Brasil que vem se beneficiando dessa procura. Grandes aplicadores globais estão tentando achar papéis mais baratos em relação à bolsa americana em vários mercados emergentes, considerados mais arriscados, mas com um potencial maior de retorno.
Basta olhar para alguns indicadores de mercado para ver isso. O ETF (fundos negociados na bolsa) chamado EEM, ou iShares MSCI Emerging Markets, reúne o desempenho das ações mais importantes de mercados emergentes – e chega ao fim de 2025 com ganho acumulado de 31%. Nada mal.
Tudo isso aconteceu porque os investidores já se preparavam desde o começo do ano para os cortes de juros nos EUA, que começaram em setembro. Se no horizonte já dá para ver que os títulos de renda fixa da maior economia do mundo passariam a pagar menos, o investidor não tinha motivo para esperar. Ele se antecipa e executa a estratégia. Foi o que aconteceu.
E haja bom retorno. Se formos somar a desvalorização do dólar frente ao real com a alta do Ibovespa, temos que o principal índice no mercado brasileiro subiu nada menos do que 50% na moeda americana.
Claro que o investidor brasileiro investe em reais. Mas isso faz diferença, porque representa custo de oportunidade. Quem tirou dinheiro da bolsa brasileira e colocou na bolsa americana, em dólar, perdeu com a alta menor do S&P 500 e com a desvalorização da moeda americana.
E o gringo que sacou de lá e colocou aqui, em reais, ganhou duas vezes: com a alta do Ibovespa e a do real em moeda americana – o que na soma dá aqueles 50%.
Só que, mesmo assim, o Ibovespa ainda está bem longe da máxima em dólar…. Leia mais em investnews 30/12/2025

