Inteligência Artificial acelera fusões e redefine o setor de tecnologia e telecom na Europa, mostra estudo do Morgan Stanley
Inteligência Artificial revoluciona fusões e aquisições em Tecnologia, Mídia e Telecom na Europa.
Um novo estudo do Morgan Stanley, assinado por Marina Zavolock, Adam Wood, Emmet Kelly e Ed Young, revela que a inteligência artificial (IA) está remodelando o setor de tecnologia, mídia e telecomunicações (TMT) na Europa, trazendo impactos significativos à dinâmica das fusões e aquisições (M&A). O relatório, divulgado no contexto da conferência TMT 2025 em Barcelona, aponta cinco tendências cruciais que devem reconfigurar o mercado europeu nos próximos anos.
Segundo o Morgan Stanley, empresas europeias pioneiras no uso de IA estão atualmente registrando melhores resultados financeiros e maior retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) que seus concorrentes, inclusive superando pares dos Estados Unidos em determinados setores. No entanto, as ações dessas empresas ainda são negociadas com desconto de 28% em relação às americanas, o que sinaliza uma oportunidade para investidores atentos.
As projeções são otimistas: o mercado europeu de IA generativa (GenAI) pode movimentar até US$ 195 bilhões em receita até 2028, com destaque para o setor de softwares corporativos e aplicativos voltados ao consumidor, como e-commerce e produtos vestíveis. Para alcançar esse potencial, empresas, instituições financeiras e governos já anunciaram mais de US$ 350 bilhões em investimentos, visando estruturar um robusto ecossistema de IA tanto na União Europeia quanto no Reino Unido.
Infraestrutura é outro ponto-chave. A expectativa é que a capacidade global de data centers, essencial para viabilizar soluções de IA, mais do que dobre até 2030, saltando de 95 GW para 250 GW anuais. Os Estados Unidos e a China lideram essa expansão, enquanto a Europa corre atrás, impulsionada por novos polos na França, Alemanha, Itália e Suíça. Riscos ainda persistem, como restrições no acesso à energia limpa, gargalos regulatórios e possíveis recuos nos investimentos se os retornos não se confirmarem.
No segmento de telecomunicações, a França volta a discutir consolidações diante de forte competição e baixo espaço para reajustes de preços. O Morgan Stanley estima que uma fusão no setor pode gerar sinergias entre €8 bilhões e €20 bilhões, especialmente se houver um alívio em questões regulatórias e antitruste, já revisadas pela nova Comissária Europeia Teresa Ribera. O sucesso dessas operações, contudo, dependerá de fatores sensíveis como valorização de ativos e divisão de mercados.
No universo das plataformas de classificados online, prevalece otimismo: elas mostram resiliência na era GenAI, alavancadas por marcas sólidas e dados proprietários. A IA tende a melhorar a experiência do usuário e a eficiência operacional, mas o avanço dos chamados “assistentes agentivos” pode transformar o relacionamento direto com o consumidor, descentralizando a descoberta de ofertas e, possivelmente, enfraquecendo o poder de precificação dos portais tradicionais.
Principais conceitos do relatório para cobertura de M&A em TMT:
- Adoção de IA impulsiona resultados: Empresas que investem em IA têm desempenho financeiro superior, mas ainda são subvalorizadas em relação ao mercado americano.
- Potencial de crescimento do mercado GenAI: Até US$ 195 bilhões em receita na Europa até 2028, especialmente em softwares corporativos e aplicativos voltados ao consumidor.
- Expansão de data centers: Capacidade global deve mais que dobrar até 2030, com a Europa projetando crescimento anual de 15% até 2035, embora com desafios em energia e regulação.
- Consolidação nas telecomunicações francesas: M&A volta à pauta, com potencial de bilhões em sinergias e ambiente regulatório mais favorável.
- Classificados online na era GenAI: Plataformas permanecem relevantes, mas o surgimento de assistentes AI pode mudar o modelo de negócios e o fluxo de usuários.
O relatório do Morgan Stanley destaca, portanto, uma nova arquitetura para M&A no setor TMT europeu, onde a IA se consolida como força propulsora da inovação, competitividade e reestruturação de mercados.… Leia mais em Morgan Stanley 06/11/2025

