LogiGo, de centrais multimídia, mira rivais globais – e um comprador
Por trás da tela LCD que controla rádio, temperatura e GPS do carro e ainda se conecta com aplicativos do celular, tem uma empresa brasileira. A LogiGo, fundada há 14 anos em São Bernardo do Campo, fabrica do hardware ao software, tem Ford e Mitsubishi entre seus clientes e está nos veículos da Nissan produzidos no país de 2015 a 2021.
Esse é um dos negócios do empreendedor serial Antonio Azevedo, dono também da Home Déluxe, de locação para expatriados, e espera lançar a sua Eonic, de microcarros elétricos, até o começo do ano que vem, sempre com capital próprio. O engenheiro de 42 anos contratou a boutique de fusões e aquisições Metis Advisors para o caso de encontrar uma oferta que valha a pena para sair do negócio. “Tudo que é meu está à venda”, responde sem apego.
Com montagem final no ABC paulista, berço da indústria automobilística brasileira, a LogiGo traz as centrais multimídia pré-montadas da unidade de Huizhou, na China. Azevedo compara o processo de fabricação ao da Apple com os iPhones, com o objetivo de menor custo trabalhista, investimento e risco da cadeia de suprimentos.
A empresa voltou a ter escritório em Detroit neste ano, com vendas e engenharia, operação que havia sido encerrada durante a pandemia. A reabertura visa concorrer localmente com multinacionais como Bosch, Harman (da Samsung), e Panasonic, num segmento que tem disputa acirrada: como algumas montadoras desenvolvem suas centrais de LCD internamente, a potencial clientela dos fornecedores fica menor.
Segundo o empresário, ter o software local encurta prazos e evita depender de projetos importados da Índia ou da Alemanha. “Esse diferencial nos ajuda a vencer concorrentes maiores”, diz. Em 2014, a Toyota adotou a inovação da LogiGo com TV digital full HD nos veículos, única na época. No ano seguinte, a Nissan passou a oferecer, com tecnologia da brasileira, centrais Android com Waze e Spotify integrados, antes mesmo da chegada do CarPlay e do Android Auto, que hoje já vêm pré-instalados nos veículos. “É uma história de Davi contra Golias.”
Uma das apostas de Azevedo é transformar a tela do carro, hoje usada apenas para navegação e entretenimento, em uma plataforma de publicidade e serviços. “É a única tela que ainda não é monetizada, mas pode gerar receita para a montadora, nem que seja de 10 centavos a cada exibição de uma marca parceira, um ativo muito forte”, defende.
“Existe muito dinheiro dentro do veículo que as montadoras deixam escapar. Podemos avisar sobre troca de pneus quando o carro bate 40 mil quilômetros rodados, monitorar o uso do freio para oferecer troca de pastilhas, dar descontos em concessionárias e aumentar a retenção do cliente”, diz. Uma parte dessa conectividade já existe, mas é pouco ou mal utilizada pelas montadoras.
O empreendedor explica que, diferente das telas que alguns táxis ou carros de aplicativo oferecem, a da central multimídia já vem instalada nos veículos, não precisa de um convencimento do motorista. “Não tem capex. Na verdade, é um capex que não está sendo utilizado para gerar receita para a montadora”, diz, ressaltando que o consumidor terá que autorizar essa publicidade, mas pode ser convencido pelos benefícios da própria conectividade, como um seguro mais barato por a seguradora conseguir monitorar onde ele estaciona à noite, por exemplo.
Com previsão de faturar R$ 40 milhões este ano com o fornecimento de 15 mil equipamentos, a LogiGo projeta mais do que … leia mais em Pipeline 29/09/2025

