Na noite do último dia 15, após o fechamento do mercado, Marfrig e BRF anunciaram sua união. Uma das maiores transações de M&A brasileiras, unindo empresas cujas capitalizações de mercado estavam na casa de R$ 20 bilhões no caso da Marfrig e R$ 30 bilhões no caso da BRF. Cria-se, portanto, um gigante de R$ 40 a 50 bilhões, considerando que a Marfrig já detinha participação relevante na BRF.

Essa união não aconteceu repentinamente. A Marfrig passou a deter participação minoritária na BRF a partir de 2021, tornando-se acionista majoritária com 50,49% em 2023. O movimento anunciado agora apenas retrata o poder já exercido por Marcos Molina no capital da BRF, ao propor e aprovar a incorporação da BRF pela Marfrig. Surge assim uma empresa com presença em 117 países, R$ 152 bilhões de faturamento nos últimos 12 meses (considerando até 31 de março de 2025), sendo 43% vindos dos EUA, e um portfólio de mais de 40 marcas.

Diante do impasse notório entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy na fusão de Arezzo e Soma, a pergunta que naturalmente surge é: será que essa nova união também corre o risco de naufragar?

Ao analisarmos a fusão entre Marfrig e BRF, é possível antecipar se os principais obstáculos enfrentados por outras fusões estarão presentes aqui também.

Começando pelas lideranças: Marfrig e BRF já tinham o mesmo controlador. A Marfrig era controlada por Marcos Molina e sua família, com 72,7% de participação, enquanto 53,1% do capital da BRF também pertencia ao grupo. Ambas as empresas tinham CEOs diferentes, mas Molina presidia os dois conselhos. Dificilmente veremos conflitos de comando como no caso de Birman e Jatahy. O desafio agora será alinhar as estruturas, mantendo os melhores executivos e um direcionamento claro.

Quanto às sinergias: por serem do mesmo setor e com modelos semelhantes, a captura de valor tende a ser mais simples do ponto de vista comercial, logístico, tributário, corporativo e fabril. Ao contrário da Azzas, não deve haver dúvidas sobre prazos ou ganhos. O fato de haver um único controlador estratégico contribui para acelerar e simplificar o processo… saiba mais em Pipeline 25/05/2025