Mercado fitness vive explosão, com mudança de hábitos e inclusão da faixa pós-60 anos
A trajetória de Edgard Corona está ligada à história das academias no Brasil. Depois de fundar a Bio Ritmo em 1996, o empresário remodelou o mercado com a criação da rede Smart Fit, focada em musculação e preços baixos. Depois veio a aposta no exterior.
Hoje, está presente em 15 países da América Latina, sendo líder nos cinco maiores países de atuação: Brasil, México, Colômbia, Chile e Peru. Depois de Portugal, inicia atividades no Marrocos.
- Já são 4,94 milhões de clientes em todas essas praças, em 1.553 unidades.
- No Brasil estão 726 delas, que atendem 2,14 milhões de alunos.
- E a expansão não para. Depois de abrir a rede Nation, especializada em musculação e fisiculturismo, Corona está em negociação para adquirir o grupo Velocity, de spinning.
- O empresário de 68 anos garante que não enxerga os concorrentes como inimigos e comemora a expansão do mercado, que chega a 25% ao ano.
Esse boom acontece depois de um momento de pânico: a pandemia de 2020. O setor foi um dos mais atingidos pela Covid. Foram muitas dúvidas se haveria uma recuperação do setor, inclusive pela mudança de hábitos, com a expansão do home office.
Hoje, o sentimento não é apenas de alívio com a recuperação, mas de euforia pela expansão acelerada do segmento e as novas oportunidades que se abrem a um público mais diversificado e atento aos benefícios da malhação à saúde.
Para Corona, também há uma transformação. Hoje se valoriza mais a musculação e menos exercícios cardiorespiratórios o que, segundo ele, tem respaldo entre os especialistas.
Além da geração Z beber menos e valorizar mais o bem-estar, a geração que se habituou a puxar ferro na juventude hoje frequenta as academias também, mesmo acima dos 60 e 70 anos.
E há ainda os nichos, que não geram o grosso do faturamento, mas o empresário acha fundamental explorar para ficar antenado às mudanças do mercado, que são rápidas e frequentes. Por isso, investe no segmento de estúdios, com as marcas:
- Race Bootcamp (corrida indoor e treinos funcionais),
- Tonus Gym (musculação),
- Jab House (boxe),
- e Vidya (yoga).
A Bio Ritmo recebe o público premium. Para se adaptar à exigência do cliente, que quer mais liberdade para escolher suas atividades ou academias, lançou o Totalpass para concorrer com o Gympass, com um sistema de créditos e que também compreende outras redes. O número de lojas próprias está entre 80% e 85%. Em praças menores ou já com players consolidados, ele busca franqueados.
Adaptação e reinvenção
“Obcecado por processos”, Corona transformou seu grupo em uma máquina bem azeitada, com mais eficiência, custos menores e dinamismo para acompanhar as transformações do segmento. O tropeço da pandemia foi um susto, mas ele conseguiu dar a volta por cima como poucos.
- Com receita de R$ 4,84 bilhões, seu grupo comemorou uma variação anual de receita de 33% no trimestre encerrado em junho passado e consegue margens raras em qualquer segmento: 30,8%, com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 1,49 bilhão.
- Essa performance explica a facilidade com que conseguiu realizar seu IPO em 2021, quando a economia ainda estava enfrentava a Covid e havia dúvidas sobre um possível efeito rebote pós-pandemia (que de fato veio: naquele ano, o PIB subiu 4,8%, após levar um tombo de 3,3% em 2020).
- Ao lançar ações na B3, ele na verdade sofreu com um excesso de apetite do mercado. Acabou ofertando pacotes de ações de forma mais pulverizada, desagradando alguns players.
“Virou um case”, ele brinca hoje. “Nós quase morremos de congestão. Tem muita história, dá para escrever um livro.” O valor de mercado da companhia no último dia 21 era R$ 12,6 bilhões.
O grupo Smart Fit é um símbolo da pujança do setor, que fatura nacionalmente cerca de R$ 12 bilhões e tem academias ativas em 42% das cidades.
No mundo, esse é um segmento que movimentou US$ 112,2 bilhões (R$ 641,4 bilhões) em 2023 e tem previsão de crescimento global de 8,83% ao ano até 2023, segundo a Fortune Business.
No Brasil, com um mercado altamente competitivo, a expansão das marcas ocorre em todos os estados e também em cidades medianas e pequenas. O fenômeno disparou no pós-pandemia, avaliam especialistas. Em meio às consideráveis mudanças do setor nos últimos quatro anos, o tradicional modelo de academia, que oferecia uma ampla gama de serviços, como musculação, aulas coletivas, natação e spinning, vem cedendo espaço para academias especializadas em nichos, focadas em atividades específicas.
Um exemplo dessa tendência é Brasília, que tem a terceira maior concentração de academias do País. É uma região em que a Bodytech cresce no disputadíssimo segmento premium…. Leia mais em istoedinheiro 25/10/2024

