Os resultados mais recentes de Google, Meta e Microsoft mostram uma realidade incômoda: a inteligência artificial, longe de ameaçar o monopólio das big techs, está fortalecendo ainda mais o domínio das gigantes de tecnologia. Enquanto isso, o jornalismo — cuja produção alimenta muitas dessas ferramentas de IA — sangra silenciosamente.

As big techs estão gastando mais do que nunca em inteligência artificial, mas os retornos também estão aumentando nas áreas-chave dessas empresas, para alívio e alegria dos investidores.

A Alphabet (Google), a Microsoft, a Amazon e a Meta Platforms devem gastar quase US$ 400 bilhões apenas neste este ano em despesas de capital, principalmente para construir sua infraestrutura de inteligência artificial.

Segundo o Morgan Stanley, US$ 2,9 trilhões devem ser gastos entre 2025 e 2028 em chips, servidores e infraestrutura de data centers. Esses investimentos devem contribuir com até 0,5% do crescimento do PIB dos EUA neste e no próximo ano, afirma o banco.

Investimentos dessa magnitude em uma tecnologia que promete ser revolucionária, mas ainda com retorno financeiro difícil de calcular, deveriam ser uma preocupação para os investidores das gigantes de tecnologia. Porém, com o lucro crescendo nos negócios tradicionais dessas empresas, a aposta é que elas levam vantagem justamente por poderem gastar mais do que suas jovens concorrentes.

Recentemente aprovada, a Lei One Big Beautiful Bill deve impulsionar ainda mais os gastos. A nova legislação capitaneada por Trump oferece estímulos fiscais para empresas que antecipam investimentos, liberando fluxo de caixa para ampliar ainda mais os gastos na área.

Google evidencia desequilíbrio de poder econômico

Veja o exemplo do Google. A aposta de muitos era de que com o crescimento da IA, o domínio da empresa em resultados de buscas seria reduzido, mas o que aconteceu indica o oposto.

O CEO, Sundar Pichai, afirmou semana passada, após o anúncio de resultados do segundo trimestre da empresa, que os resultados de busca com resumos de IA agora têm mais de 2 bilhões de usuários mensais, um aumento em relação aos 1,5 bilhão registrados na última atualização trimestral.

Vemos a IA impulsionando uma expansão na forma como as pessoas buscam e acessam informações”, disse Pichai em uma conversa com analistas, acrescentando que os recursos de IA “levam os usuários a buscar mais, à medida que descobrem que a Busca pode atender a mais necessidades”.

As impressões de busca — o número de links exibidos nas pesquisas, mesmo que não sejam clicados — aumentaram 49% no ano seguinte ao lançamento dos resumos de IA, conforme um relatório de maio da empresa de SEO BrightEdge… saiba mais em Valor Econômico 01/08/2025