Ativos de maturação lenta que exigem altos investimentos, mas que, em contrapartida, podem oferecer estabilidade de fluxo de caixa e boa perspectiva de retorno em alguns anos. Essas características, comuns nos segmentos de infraestrutura, em geral definem o tipo de investimento que interessa aos fundos de private equity. No caso brasileiro, a convergência entre visão de longo prazo e a necessidade do país de aprimorar sua infraestrutura tem atraído bilhões dos bolsos desses fundos nos últimos dez anos.

E essa situação deve assim permanecer: segue em alta o interesse desses investidores pelas vendas ou concessões de ativos públicos neste e no próximo ano, dada a impossibilidade financeira de os governos arcarem com elevados investimentos.

Como observa o CEO do Banco Genial, André Schwartz, são numerosos os processos envolvendo esses ativos, com destaque para as movimentações dos governos estaduais de várias regiões do país. “Por necessidade de caixa, há vários Estados planejando vender ativos, ou já com projetos em andamento, principalmente das áreas de energia e saneamento básico. Também vemos a intenção de fazer concessões de infraestrutura, uma forma de os Estados conseguirem recursos com as outorgas.” O Estado de São Paulo, por exemplo, recentemente vendeu a Sabesp e a Emae e finaliza uma rodada de concessão de cerca de 500 quilômetros de rodovias.

As grandes gestoras de private equity acompanham de perto toda essa dinâmica e têm olhos abertos para as melhores oportunidades. A canadense Brookfield nos últimos dez anos investiu em transporte ferroviário, portos e rodovias, transporte de gás natural, infraestrutura de dados (data centers e redes de fibra óptica), transmissão de energia e leia mais em Valor Econômico 14/11/2024