Buscar recursos com investidores pode ser o melhor caminho para as startups do agronegócio crescerem rápido e ocuparem mercado, dividindo o risco com investidores estratégicos. É o caminho que muitas agtechs estão traçando, e é o que defende Henrique Galvani, fundador e principal executivo da Arara Seed, plataforma especializada em campanhas de financiamento coletivo de startups do agro.

Ele pondera, no entanto, que há opções. “Se o empreendedor busca crescer de forma mais orgânica e manter o controle total, pode optar por não captar”. Para Galvani, “não existe um único caminho”.

Leonardo Zamboni, diretor de receitas da plataforma de equity crowdfunding Captable, observa que rodar um negócio apenas com capital próprio é uma possibilidade, mas tem limitações. “Aí estamos falando de uma operação pequena, com impacto limitado”.

Entre 2017 e 2022, a Cowmed passou por três captações. Foi a partir das rodadas de investimento que a empresa decolou e, hoje, está entre as principais startups de monitoramento de gado de leite com colares para vacas.

Na primeira rodada, a empresa captou R$ 4 milhões, na segunda R$ 5 milhões e, na terceira, por equity crowdfunding via Captable, R$ 6 milhões. Thiago Martins, CEO da Cowmed, explica que investir em tecnologia para o agro é “muito caro”. “É preciso acessar fazendas distantes, implementar soluções no campo. É um desafio logístico enorme”.

Por isso, já vislumbram novas rodadas. Antes do primeiro aporte, a empresa faturava R$ 500 mil por ano. Em 2020, atingiu o ‘breakeven’ (quando a empresa começa a se pagar) e em 2024, faturou R$ 6 milhões, com projeção de superar R$ 18 milhões em 2025.

O CEO revela que as conversas por novas rodadas se intensificaram nos últimos meses, principalmente para atingir a meta de romper a barreira dos R$ 50 milhões de receita em cinco anos. No mesmo prazo, a Cowmed quer ter em sua plataforma 1 milhão de vacas monitoradas. Hoje são cerca de 100 mil no Brasil, México, Uruguai, Bolívia, Paraguai, Canadá e Estados Unidos.

Depois de investir em inteligência artificial e estruturação da sua tecnologia nos dois primeiros aportes, Martins afirma que a rodada de financiamento coletivo foi a validação do sucesso da Cowmed, já que 70% dos aportes, segundo ele, foram feitos por clientes e pecuaristas que já utilizavam a ferramenta.

Em 2022, a Agroboard captou R$ 1,8 milhão em sua primeira rodada de investimento com a Arara Seed e liderança da Rural Ventures. Como Martins, o CEO da Agroboard, Danilo Lombardi, vê um “antes e depois do investimento”.

Ele conta que o dinheiro em caixa segue até hoje sendo destinado à contratação de talentos e ao desenvolvimento do produto. A agtech oferece serviços de digitalização e simplificação de riscos na gestão de commodities para produtores.

A Agroboard faturou R$ 2,2 milhões em 2022. A startup já atingiu o ‘breakeven’ e cresceu mais de quatro vezes em receita em menos de três anos. “Com os avanços obtidos desde a rodada, valorizamos muito nosso negócio”. Ainda sem prazo para outra captação, a empresa analisa o momento mais estratégico para isso, diz o executivo…. leia mais em GloboRural 22/07/2025