Sem avançar nas negociações de venda para a Matrix Energy, a 2W Ecobank contratou a consultoria Íntegra para assessorá-la na reestruturação financeira, apurou o Pipeline. Com uma dívida de cerca de R$ 3 bilhões, a empresa tenta novos termos com bancos credores e debenturistas enquanto busca mais alternativas para reduzir a alavancagem financeira.

A companhia de energia renovável postergou o pagamento das debêntures da 3ª emissão, que totalizavam saldo de R$ 190 milhões em dezembro de 2023. O pagamento deveria ser realizado em 15 de julho, mas foi adiado e os detentores dos papéis concordaram em não declarar o vencimento antecipado da dívida.

A crise financeira vem depois de uma série de tentativas de capitalização. A 2W chegou a contratar bancos para potencial IPO no ano passado, e já tinha tentado fazer uma listagem em 2020. Com o mercado fechado para IPOs, a companhia partiu para o plano de buscar um sócio que colocasse dinheiro no caixa. Em maio, a empresa anunciou que aceitou uma proposta não vinculante com a Matriz Energy Participações para a venda do controle por 30 dias. O prazo terminou em junho, sem acordo final, segundo fontes.

A companhia tem diferentes compromissos em suas dívidas. Uma série de debêntures conversíveis em 2021 foi distribuída a clientes de alta renda do banco Credit Suisse, no montante de R$ 400 milhões. Pelo contrato, essa dívida poderia ser convertida em equity, com participação de no mínimo de 15% do capital da empresa, no caso de eventos como IPO, mudança de controle e transferência de 10% das ações para terceiros. Isso já limita, a terceiros interessados, quanto terão do capital da empresa. Qualquer mudança nesses termos precisa ser decidida pelos debenturistas.

Além disso, ainda em títulos de dívida, a empresa emitiu R$ 475 milhões para financiar o projeto de geração eólica Anemus, localizado no Rio Grande do Norte, que já está operacional, e conta fiança bancária do BTG. Em um acerto de dívida com a Weg, fornecedora dos aerogeradores, foi cedida uma participação de 6,5% para a Weg na empresa que detém o projeto. Atualmente, a alavancagem financeira do projeto também está sendo discutida.

“É uma situação complexa porque se os debenturistas da 3ª emissão acelerarem a dívidas, que conta com ações da SPE Anemus, os credores da Anemus vão acionar a fiança do BTG e tentar receber primeiro”, disse um credor.

Uma das possibilidades para resolver a estrutura de capital seria converter parte da dívida em equity, mas isso vai depender de um acordo com os credores.

Como parte da reestruturação, a empresa anunciou recentemente a troca do time de gestão e de membros do conselho de administração, incluindo a saída do CEO Claudio Ribeiro, que ocupava o cargo desde outubro de 2019 e que continuará no conselho de administração, e a vinda de Ricardo Levy, que tem experiência no setor de energia e turnaround de empresas e trabalhou como CFO da Eneva na época da recuperação judicial em 2014, e anteriormente na Light. A ideia é fazer um ajuste também dentro da empresa, com corte de gastos.

A 2W era, em abril, a quarta maior comercializadora que atua no varejo. A companhia possui dois principais projetos eólicos. O Anemus, já operacional com capacidade instalada de 138,6 MW, e o Kairós, localizado no Ceará, que deve adicionar mais 261 MW na capacidade de geração.

A companhia registrou lucro de R$ 29 milhões nos primeiros nove meses de 2023, alta de 303% frente ao mesmo período de 2022. A 2W foi fundada pelo empresário Ricardo Delneri, que também fundou a Renova Energia, e hoje é acionista controlador com 76,5% do capital.

Procurada, a 2W e a Matrix não comentaram… saiba mais em Pipeline Valor 19/07/2024