Foi dada a largada para a dança das cadeiras corporativas! Mesmo com salários estagnados e uma tênue estabilidade econômica como cenário, 9 entre 10 líderes consideram mudar de emprego em 2025.

Com um cenário político caótico, uma economia na corda bamba, alta desenfreada de juros, um panorama mundial de guerras e conflitos, o surgimento quase que diário de novas tecnologias e, portanto, uma necessidade constante de atualização, o mercado de RH inicia, agora no segundo trimestre, sua fase mais desafiadora no quesito contratações. Com bônus pagos e a famosa “dança das cadeiras” rolando, consegue a vaga – ou o talento – quem tiver mais benefícios e uma melhor atitude perante os obstáculos pessoais e profissionais que o mundo nos impõe.

A análise acima é de Marcelo Arone, headhunter e especialista em empresas que passam por processo de transformação e profissionalização. Há 16 anos, Arone atua com recrutamento e seleção pra alta liderança, C-Level e Conselhos e é sócio fundador da OPTME RH que, desde 2015, já contratou aproximadamente 500 pessoas pra mais de 120 clientes em diferentes segmentos. Para Marcelo, Abril é sempre uma virada de chave: “é quando as empresas pagam os bônus, carnaval passou e, consequentemente, os líderes se sentem mais à vontade para tomar decisões sobre a própria carreira”.

Ao analisar 2025, o especialista enfatiza a necessidade de autocuidado individual e de uma percepção mais ampla do mercado. “A verdade seja dita: quanto maior o talento, maior precisa ser o esforço de uma companhia para mantê-lo. Não perder seus melhores profissionais vale até mais que uma contratação assertiva. Foi-se o tempo em que a solidez de uma empresa e benefícios simples conquistavam os melhores nomes. Hoje, existe uma busca incessante por satisfação e crescimento, especialmente por parte da geração Z, que já está galgando cargos de chefia”, confirma.

O salário, sozinho, já não é necessariamente um atrativo, visto que houve uma defasagem nos últimos 10 anos. “Os salários não acompanharam a inflação, isso é fato e tem muito a ver com a pandemia, com a tecnologia e a substituição da mão de obra, com os modelos mais flexíveis de contratação. Não é o ideal, mas é a realidade. Houve uma “juniorização” em boa parte do mercado”, explica Marcelo.

As empresas, por sua vez, estão cada vez mais abertas a novas formas de trabalho, a contemplar as necessidades não apenas criativas, mas também sociais dos indivíduos, e colocam cada vez mais as habilidades pessoais de lidar com conflitos e uma certa leveza na balança. “Há algum tempo, mais de 70% do peso de uma contratação estava nas hard skills, no conhecimento e na experiência. Hoje, podemos dizer que a conta fecha em 50/50. As empresas querem profissionais com mais capacidade de enfrentar os altos e baixos do mercado”, enfatiza Arone.

Uma pesquisa recente da Gallup analisou o nível de engajamento dos profissionais brasileiros e chegou à conclusão de que, se 74% pendem para o ‘desengajamento’, os mesmos 74% têm dificuldade de engajar exatamente por não saber o que precisam aprender para conquistar uma promoção. Portanto, para quem está buscando uma recolocação, Marcelo dá uma ajudinha e lembra o que precisa entrar na equação: “inovação e integração com IAs vai ser tema constante a partir de agora, e quem não estiver atualizado vai, literalmente, ser engolido pelo mercado”.

Ele segue: “saúde mental e emocional também estão em jogo, já que as empresas estão buscando pessoas que tragam leveza e flexibilidade para a rotina corporativa: o bem-estar, nesse sentido, precisa ser uma via de mão dupla”, complementa Arone, que complementa: “investir em educação continuada, estar antenado com as mudanças do mercado, agregar para os times e incorporar os valores da companhia precisam estar atrelados a um bom currículo”.

No fim das contas, a boa notícia segundo o headhunter é que para aquele bom profissional mesmo num momento de turbulência as empresas buscam pessoas que saibam agregar o perfil técnico com gestão e uma certa “leveza corporativa”. Arone ressalta: “a pressão por resultados, entregas e metas sempre existiu e sempre irá existir. O que mudou, principalmente no pós pandemia, é que os profissionais estão acumulando responsabilidades e funções. Fazendo, literalmente, “mais com menos”. Quem souber delegar, engajar e trabalhar o famoso “relacional” dentro das empresas será sempre disputado pelo mercado.

Para quem está contratando, o panorama também é inovador: não adianta apenas oferecer um bom salário ou os benefícios básicos. Os líderes querem a certeza de que estão sendo vistos, de que seu bem-estar está sendo contemplado, de que há possibilidade de experimentar modelos alternativos de trabalho e, caso as metas sejam agressivas (como geralmente são), que elas tragam resultados na igual medida, especialmente com foco em crescimento e realização.

Com informações da Planta & Cresce 02/04/2025