Zimerman: ‘se Cade entendesse, aprovaria fusão em uma semana’
Superada a longa negociação que selou a fusão entre Petz e Cobasi, as atenções das duas empresas agora se voltam para os cães de guarda do Cade. A expectativa das companhias é que a análise da operação só seja concluída em 2025 mas, para o fundador e CEO da Petz, Sérgio Zimerman, o processo poderia ser muito mais rápido se os técnicos do órgão antitruste enxergassem a transação do jeito que ele vê.
“Se o Cade entendesse o espírito dessa união, aprovaria em uma semana”, disse o empresário disse nesta manhã, em teleconferência com analistas de bancos para explicar a operação.
Zimerman argumenta que a fusão entre os dois negócios vai proporcionar uma redução de custos para a nova empresa — com medidas que incluem o fechamento de lojas que estão muito próximas uma da outra e ajustes no quadro de funcionários dos centros de distribuição, entre outras sinergias —, o que deve resultar em preços menores aos consumidores, gerando um ambiente de maior competição no mercado.
“O Cade não existe pra proteger concorrente, mas para a proteger concorrência. Se o concorrente se incomoda, faz parte, é normal, mas o Cade não está lá pra isso, está para proteger o consumidor, e há méritos em diminuições de despesas operacionais, que não vão virar pressão para colo do fornecedor”, afirmou. “Temos motivos de sobra para confiar na excelência dos técnicos do Cade que vão analisar a nossa combinação de negócios.”
Segundo ele, seria errado imaginar que a fusão servirá para a nova empresa aproveitar sua maior participação de mercado para subir preços, porque as duas marcas também contam com a competição de players online que estão em marketplaces e poderiam roubar clientes com preços menores.
“Aumentar preços seria o fim da companhia”, ele disse. “Não daria para fazer isso mesmo que juntasse as três ou quatro maiores, porque a barreira de mercado é baixa, e os marketplaces têm mérito nisso, porque regulam o mercado, dando acesso ao pequeno, que está louco para vender e louco para a gente escorregar, fazer bobagem no preço, e assim ganhar nosso consumidor.”
O empresário afirmou ainda que as duas empresas estão “tranquilas”, pois estão sendo assessoradas por advogados e consultorias econômicas que têm uma “visão construtiva” para a fusão e para o que deve vir do Cade. Somadas, as duas companhias têm 11% de market share no segmento pet, com receita líquida de R$ 6,9 bilhões e Ebitda de R$ 464 milhões. Só em serviços pet (como banho e tosa, por exemplo), as duas combinadas têm 2% de share. “Tem muita coisa a ser feita para adquirir relevância em serviços, fidelizando o consumidor”, ele disse.
A análise do Cade, no entanto, não será tão simples quanto Zimerman gostaria que fosse. Em artigo, o ex-presidente do órgão antitruste Gesner Oliveira, sócio-fundador da consultoria econômica GO Associados, disse que a fusão deveria deixar os técnicos em alerta, em especial porque se trata de uma transação em que a maior do mercado está se unindo à segunda, gerando uma “enorme discrepância” para o terceiro, que seria a Petlove, com faturamento de R$ 1 bilhão. A empresa resultante, ele disse, teria escala e escopo irreplicáveis, o que deve exigir remédios, como repassar unidades a outros players ou proibir abertura de grandes lojas em certas regiões nos próximos anos.
Segundo projeção das duas companhias, as sinergias devem adicionar entre R$ 220 milhões e R$ 330 milhões de Ebitda por ano. Cerca de 85% dessa projeção seria capturada em até três anos, começando entre 2025 e 2026, pela estimativa. Sobre a quantidade de lojas que devem ser fechadas, Zimerman disse que ainda não há um número, mas que a consultoria McKinsey deve se aprofundar em estudo sobre isso nas próximas semanas… leia mais em Pipeline 16/08/2024

