Codemig volta a chamar Goldman Sachs para fazer laudo de avaliação
A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) assinou um novo contrato com a multinacional norte-americana Goldman Sachs para a confecção de um laudo de avaliação dos ativos da empresa. A ideia da estatal é ter um referencial interno quanto ao próprio valor de mercado, uma vez que sua federalização é cogitada no âmbito das negociações com o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
O acordo entre a Codemig e o Goldman Sachs foi firmado em 12 de maio. No ano de 2022, a empresa, que atua na exploração de jazidas de nióbio em Araxá (Alto Paranaíba), já havia acionado a multinacional. À ocasião, o estudo do Goldman indicou que os dividendos da companhia teriam valor próximo a R$ 30 bilhões.
O extrato do novo contrato entre a Codemig e o Goldman Sachs não traz o valor exato da remuneração que será repassada ao serviço de consultoria. O teto do pagamento, entretanto, é de cerca de R$ 23,1 milhões. Pelo valuation feito anteriormente, a empresa recebeu R$ 300 mil.
Embora o Goldman Sachs tenha sido contratada, o valor que será descontado da dívida de Minas com a União em caso de federalização da Codemig precisará ser definido pelo Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O texto de regulamentação do Propag estabelece a instituição financeira como responsável pelo laudo de avaliação dos bens que os estados vão oferecer ao Palácio do Planalto.
Nesta terça-feira (17), durante audiência com deputados estaduais, Luísa Barreto, presidente da Codemig e de sua controladora, a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), disse que a empresa só poderá fornecer o valor de seus ativos após a conclusão dos estudos do Goldman Sachs.
“Esse contrato (com o Goldman) é para que a gente tenha uma nova avaliação nossa. A gente entra em um processo de negociação com o governo federal em que está em discussão um ativo de bilhões. Seria irresponsável da nossa parte não ter uma avaliação, inclusive externa, para que a gente possa, efetivamente, ter certeza e segurança de que será apurado o valor mais justo para a companhia nesse processo de avaliação”, afirmou.
Ainda conforme Luísa Barreto, o valor identificado pelo Goldman Sachs no laudo de avaliação anterior está defasado. Por isso, a necessidade de refazer a tarefa.
Prazo até outubro
Os estados interessados no Propag têm até 30 de outubro para encaminhar, à União, a lista dos ativos que poderão ser envolvidos na negociação de amortização das dívidas. Na semana retrasada, o diretor de Planejamento do BNDES, Nelson Barbosa, indicou ao vice-governador de Minas, Mateus Simões (Novo), que o banco não conseguirá concluir o laudo de avaliação das empresas públicas do estado nesse prazo. Segundo o BNDES, trabalhos do tipo só devem ficar prontos em meados do ano que vem.
Ao comentar o novo contrato com o Goldman Sachs, Luísa Barreto falou que a intenção da Codemig é ter em mãos, até outubro, os dados coletados pela consultoria.
“Fomos surpreendidos com esse novo prazo do BNDES, mas, da nossa parte, todo o planejamento foi para seguir tal e qual. Então, em 30 de outubro, data prevista para a avaliação do ativo, teremos nosso valuation feito”, falou.

