Incerteza faz afundar fusões e aquisições em Portugal em 2021
Está a ser o pior dos últimos quatro anos em matéria de operações de fusão e aquisição. Portugal apenas registou 64 operações de compra ou fusão de empresas de grande ou média dimensão, até ao início de novembro. Em valor, os negócios ascendem a 3,5 mil milhões de euros, um montante que está mais de 66% abaixo do observado em todo o ano de 2020. No ano passado, registaram-se em Portugal 84 operações de fusão e aquisição de empresas no valor global de 10,5 mil milhões de euros, segundo a Mergermarket, agência de informação financeira.
O ambiente de incerteza, nomeadamente em torno da epidemia e das medidas sanitárias, tem refreado os negócios. Mas, atualmente, também a incerteza política devido às eleições legislativas contribuem para um arrefecimento das compras e fusões de empresas. “Temos assistido a um grande impacto nas decisões de investimento e no setor das aquisições das empresas e das reorganizações e do investimento estrangeiro”, disse Mariana Norton dos Reis, sócia da Cuatrecasas, sociedade de advogados que assessorou três das maiores operações em Portugal em 2021.
Uma das conclusões dos dados da Mergermarket é que o Canadá ultrapassou a Espanha em termos de país de origem do maior investimento. Isto devido àquele que foi o maior negócio de aquisição de uma empresa em Portugal: a compra da Logoplaste, em fevereiro, pelo Fundo de Pensões dos Professores de Ontário e a atual gestão da empresa, por 1,4 mil milhões de euros.

O segundo maior negócio em Portugal foi a compra, em julho, de uma fatia de 24,9% da Sonae MC Modelo Continente, liderada por Cláudia Azevedo, pela CVC Capital Partners Limited por €591 milhões de euros. A compra de um portefólio de energia eólica da EDP Renováveis pela Onex por €532 milhões de euros, também no mês de julho, foi a terceira maior operação observada em 2021 até ao momento no país. Seguiu-se a compra de 28,09% da Semapa – Sociedade de Investimento e Gestão SGPS pela Sodim, por 278 milhões de euros, em fevereiro, e a compra de ativos da PT Portugal pela espanhola Cellnex telecom por 209 milhões de euros.
Outra conclusão a tirar dos dados divulgados é que muitas das transações apontam para o dinamismo do segmento de private equity, efetuado por entidades dedicadas a investimentos. Isto porque os dois maiores negócios do ano foram efetuados nesse âmbito….Saiba mais em dinheirovivo.24/11/2021

